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Nesta entrevista de 1996 concedida para a Playboy Magazine, Johnny fala sobre sexo, correspondências e a experiência de ter xingado Iggy Pop.

Você tem planos de parar de fumar?
Nada. Acho que quando você encontra uma coisa na qual é bom, deve mantê-la. Mas eu mudei para cigarros light. Chegou ao ponto de eu ficar ofegante após subir um lance de escadas, então eu passei pra light.

Você estava filmando Divine Rapture, um filme pouco convencional, com Marlon Brando, quando a verba despencou, a produção parou e todos foram mandados pra casa.
Aquilo foi um saco. Em um minuto você está filmando, no seguinte não há dinheiro. Foi como estar no meio do sexo, bem no clímax, e um cara entra com uma arma e diz: “Pára agora”. Nessas horas voce se sente um merda, porque lembra que é o negócio do cinema, baseado em dinheiro.

Algumas fãs te amam o suficiente para te mandar lembranças altamente pessoais.
Fotos de nu pelo correio, sim. Toneladas. Algumas são lindas, bem iluminadas, em preto e branco, misteriosas. Outras são radicalmente primitivas. Tem também os pêlos pubianos, Eu recebi um monte de pêlos pubianos pelo correio. Mas não guardo. Pode-se ser ritualístico com isso, queimá-los em uma fogueira, mas eu não tenho certeza se quero tocá-los, então jogo fora.

Você tinha 17 anos. Sua banda, The Kids, cruzou com grandes nomes quando excursionou pela Flórida. Tem um caso famoso sobre você e o Iggy Pop.
Nós abrimos pros Ramones, Pretenders, Talking Heads. Uma noite abrimos pro Iggy. Foi demais. Depois do show eu estava bem bêbado, e – na tradição do Iggy – querendo mais, então comecei a gritar pra ele. Insultos infantis do tipo “Iggy Poop. Quem você pensa que é? Iggy Slop” Ele chegou na minha cara e disse: “Seu bostinha.” E saiu andando. É óbvio que eu fiquei encantado. Olhei pro baixista e disse “É, esse foi o Iggy. Ele é um deus.”

Houve uma vez em que você teve um episódio de quase síndrome de Tourette em um avião?
Voando de LA a Vancouver. Eu estava na primeira classe e deu alguma coisa em mim. Eu já estava desequilibrado pelo vôo quando me deu na cabeça de gritar alguma coisa chocante. Faça isso, senão algo ruim vai acontecer.

Aí você gritou: “Eu fodo animais!”
Isso.

E, de fato, o avião não caiu.
Funcionou.

Como o pornô te afeta?
Eu gosto de um filme pornô de vez em quando, mas eu não vou atrás deles. Eu vi Edward Mãos de Penis. Tim Burton me mandou uma cópia. É um grande filme, bem engraçado. Quanto à maioria, suponho que seja excitante pra algumas pessoas, mas eu fico meio constrangido de ver pessoas transando. Você está lá assistindo e de repente parece tão estranho – as imagens mudam na sua cabeça e não são mais pessoas. O cara parece um cachorro, fazendo caretas horríveis. Tenho certeza de que há filmes pornôs lindos, feitos artisticamente. So não quero ver aquele cara.

Você já pensou no seu legado? O estoque de filmes dura, as pessoas ainda vão estar te assistindo daqui a 100 anos.
É, elas vão falar “Que será que aconteceu com Johnny Dope? Jimmy Dip? Sabe, aquele cara das mãos de tesoura…”

Cortesia da Playboy Magazine, 1996

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